Aquário, um dos signos do zodíaco, que supostamente rege as pessoas nascidas entre 21 de janeiro e 19 de fevereiro, tem a origem de seu nome no latim aquarius, que, como adjetivo, significa “relativo a água, aquático” e, como substantivo masculino, quer dizer “aguadeiro, escravo incumbido de abastecer de água as casas” e também “vendedor de água”. Por outro lado, o latim tinha o substantivo neutro aquarium, “aquário de peixes” e também “bebedouro do gado”.
O signo do zodíaco em latim era Aquarius e não Aquarium, tanto que, segundo os místicos, já estamos em plena era de aquário, uma era de paz e prosperidade, o que motivou aquela famosa canção Aquarius do musical Hair, cuja letra diz: “When the moon is in the Seventh House / And Jupiter aligns with Mars / Then peace will guide the planets / And love will steer the stars” (Quando a lua estiver na Sétima Casa / E Júpiter se alinhar com Marte / Então a paz guiará os planetas / E o amor guiará as estrelas). Parece que nada disso aconteceu ainda, e eu particularmente duvido que um dia aconteça, mas o fato que quero tratar aqui é que em português esse signo não deveria chamar-se Aquário e sim Aguadeiro.
Esse equívoco de tradução também é cometido pelo espanhol Acuario e pelo italiano Acquario, idiomas em que as palavras para “aguadeiro” são respectivamente aguador e acquaiolo. Já em francês, o signo se chama Verseau e em alemão, Wassermann, que corretamente significam “aguadeiro”. O inglês manteve o nome do signo em latim, Aquarius, fugindo, assim, do risco de cometer tal erro de tradução.
Em português moderno, [aquário] ou é um {pequeno depósito transparente de água onde se colocam peixinhos capazes de viver nesse tipo de cativeiro] ou é {um dos doze signos do zodíaco}. É preciso ver se, no Império Romano, havia os aquários supracitados, e acho que não. Utilizava-se a palavra correspondente ao nosso [aquário] com outro sentido, mesmo quando se tratava da alusão ao signo. A Era de Aquário, em que [aquário] recebe uma significação estupenda relativa à mudança dos rumos da humanidade, este sentido é restrito aos “nada-pra-fazer” da época.
Agora, ao pé da letra, a rigor, e do ponto de vista lógico, a palavra [aquário], em português contemporâneo, deveria significar {qualquer depósito de água que serve a uma finalidade específica}. Assim é que, por exemplo, um pote seria um aquário, assim como uma piscina ou mesmo um lago artificial. O problema é que a língua não se pauta nas hierarquias lógicas, nem em nada que não seja a disponibilidade de seus falantes. Por isso, o pobre do [aquário] se restringe apenas a depósito de peixinhos e, na esfera das ilusões, se preta a denominar o que, por tradição, se chama de {signo}.