Provador ou provadouro?

Prezado Aldo, as lojas de roupas geralmente têm uma cabine para provar as peças chamada ‘provador’. Fiquei pensando se esse nome está correto, afinal provador é aquele que prova, não? Assim como investigador é quem investiga, consumidor é quem consome, etc. Em suma, o sufixo mais adequado para indicar lugar onde se faz algo não é -douro? Ou seja, o lugar onde se prova roupas não deveria ser provadouro em vez de provador? Obrigado.
Laerte Munhoz dos Santos

Laerte tem toda a razão. Embora a palavra provadouro não conste em nossos dicionários nem no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), o que significa que esse vocábulo rigorosamente não existe, a cabine de prova (que em francês se chama cabine d’essayage e em inglês, fitting room) é o local onde se experimenta a roupa a ser comprada. O sufixo -dor, de fato, indica o chamado nomen agentis, isto é, serve para formar palavras que designam o autor de uma ação, seja ele uma pessoa, animal ou máquina: vendedor, investidor, predador, roedor, computador, acelerador. Já o sufixo -douro é apropriado para formar nomes de lugares em que se faz algo: ancoradouro, matadouro, nascedouro, sorvedouro. Portanto, o lugar onde se provam roupas deveria ser o provadouro. Deveria ser, mas não é.

Os dicionários Houaiss e Michaelis definem provador como aquele que prova, especialmente, o profissional encarregado de provar vinhos, cafés, etc. Mas o Houaiss também reconhece a acepção “cabine onde se provam roupas”. Curiosamente, o espanhol também oferece a palavra probador nesses dois sentidos (e em espanhol o sufixo que forma lugar onde se faz algo é -dero, portanto probador deveria ser probadero, igualmente inexistente).

O que tudo isso significa? Que a língua nem sempre se pauta pela lógica, mas existe uma força poderosíssima, contra a qual nem mesmo os gramáticos mais respeitados conseguem agir, chamada uso. Parece ter sido o que ocorreu a provador: seu emprego com o sentido de lugar, embora inadequado (assim como o é o emprego de babador em lugar de babadouro), acabou de tal modo consagrado que mudar esse estado de coisas hoje parece impossível. Tanto que os próprios dicionários reconhecem tal acepção. E se esse uso equivocado do sufixo se dá também em espanhol, é talvez porque as duas línguas tenham em algum momento compartilhado o termo. Como se trata de conceito ligado ao comércio, é bem possível que comerciantes pouco afeitos à morfologia da língua tenham confundido os sufixos, instituindo um novo significado de provador em vez de cunhar o termo provadouro. A seguir, o vocábulo transpôs as fronteiras, passando do português ao espanhol, ou vice-versa. O fato é que, mesmo sendo fruto de um equívoco, a palavra provador está dicionarizada como cabine de prova, logo seu emprego nesse sentido é legítimo.

Riberrô? Vierrá?

Outro dia ouvi num intervalo comercial de uma TV pública que uma certa cantora lírica francesa, cujo nome me parece que era Catherine Ribeiro (ou Marguerite, ou Jacqueline…), viria se apresentar no Brasil. O curioso – e, para mim, principalmente irritante – é que o locutor pronunciava o seu sobrenome como “riberrô”. Tudo bem que os franceses pronunciem nomes estrangeiros à moda deles, afinal nós também fazemos isso. Aliás, todos os povos fazem isso. É por essa razão que eles pronunciam os sobrenomes do falecido antropólogo Lévi-Strauss (de origem alemã) e do eterno craque do futebol Platini (do italiano) como “levistrrôss” e “platiní”, respectivamente. Como esses sobrenomes são estrangeiros também para nós, tanto faz dizê-los à maneira dos franceses, dos alemães ou dos italianos. Optamos então por pronunciá-los como os próprios donos dos sobrenomes os pronunciam. Pela mesma razão, o linguista Noam Chomsky é conhecido como “tchómski” tanto aqui quanto nos EUA, sua terra natal, embora a pronúncia original do sobrenome, de origem judeu-russa, seja “khómski”.

Agora, pronunciar à moda estrangeira nomes que são legitimamente portugueses já é demais! Lembro que nas Copas do Mundo de futebol de 1998 e 2002 tivemos que aguentar os narradores esportivos brasileiros chamando os jogadores franceses Vieira, Pires e Fernandez de “vierrá”, “pirrés” e “fernandês”. (Na contramão dessa tendência, esses mesmos narradores chamam o futebolista colombiano James Rodríguez de “rames”, à moda espanhola, quando os próprios colombianos – e o próprio detentor do nome – o chamam de “djeims”, tal como o fazem os ingleses, criadores do nome.)

Mas será que os franceses são tão zelosos assim com nossa pronúncia quando se referem a brasileiros com nomes de origem francesa, como o infeliz eletricista-confundido-com-terrorista Jean Charles de Menezes, morto pela polícia londrina em 2005? Há no Brasil uns poucos sobrenomes franceses, como Bittencourt e Fleury, que pronunciamos erradamente como “bitencur” e “fleurí” quando o certo seria “bitãcur” e “flörrí”. E também pronunciamos Jean como “jiã” e não “jã”, e Charles como “xarles” e não “xarl”. Também temos inúmeros brasileirinhos chamados Rian (ou Ryan), nome inglês que virou moda nas classes mais baixas, onde são chamados de “riã” e não de “ráian”. E “riã” (isto é, rien) quer dizer “nada” em francês. Se for mesmo verdade que um nome pode determinar o futuro de uma pessoa…

Mas voltando ao ponto: será que franceses e ingleses pronunciam Jean, Charles, Rian, Bittencourt e Fleury à moda brasileira quando os donos de tais nomes são nossos patrícios? Certa vez ouvi numa emissora de rádio em Buenos Aires o locutor mencionar um filósofo suíço de nome Rota Punto Rota Punto Ru-ce-au e só após alguns segundos de perplexidade compreendi tratar-se de J. J. Rousseau (ou melhor, Jean-Jacques Rousseau), que muitos no Brasil, inclusive na universidade, tratam na intimidade por “jiã-jaques”.

O chauvinismo linguístico

Chauvinismo é o sentimento patriótico exagerado e fanático, que leva o indivíduo a supervalorizar as qualidades de seu país, ao mesmo tempo em que despreza ou abomina tudo que é estrangeiro. Logo, o chauvinista é também um xenófobo, quando não um racista. De modo mais geral, o termo se aplica igualmente a qualquer defensor radical de um conceito, ideia ou ideologia, que tem atitude agressiva contra todos que sejam contrários ao objeto de sua defesa.

Embora apenas uns poucos tenham esse sentimento exacerbado ou sejam capazes de atitudes virulentas, é muito comum que as pessoas nutram um sentimento de amor ao próprio país pelo simples fato de terem nascido nele. Nesse sentido, o chauvinismo nacional decorre do desconhecimento de outras nações e outras culturas.

Da mesma forma, é muito comum o chauvinismo linguístico, o amor que o falante tem pela própria língua, independente de qual seja, apenas pelo fato de que é a língua que ele fala, a primeira – e, na maioria das vezes, a única – que aprendeu.

Gostar ou não gostar de alguma coisa, seja um país, uma cultura, uma língua ou o que quer que seja, é algo bem subjetivo: em geral, não temos motivos racionais para essa ou aquela preferência, mas somos movidos apenas por sentimentos. E estes, muitas vezes, nos são inculcados desde a infância pelos pais, professores, sacerdotes, governantes, meios de comunicação, etc.

No entanto, para a pessoa que crê, sua crença tem valor de verdade. A maioria dos brasileiros, inclusive os que passam as maiores privações neste país, acha o Brasil a melhor nação do mundo. Obviamente, americanos, franceses, japoneses, costa-riquenhos e ugandenses pensam o mesmo de seus países.

De igual maneira, o chauvinismo também aflora quando o assunto é a língua. Já perdi a conta de quantas vezes ouvi brasileiros dizerem que o português é um idioma belíssimo, que nenhum outro consegue expressar tão bem e de forma tão poética os sentimentos humanos, que nossa língua é a mais linda e perfeita do mundo, e por aí vai. Chauvinismo puro!

Em primeiro lugar, de um ponto de vista estritamente objetivo, não há línguas melhores ou piores: toda língua é igualmente eficiente em sua função de comunicação. Todos os povos usam diariamente seus idiomas nas mais diversas situações de modo fluente e eficaz. Todo idioma dá conta das necessidades de pensamento e expressão dos seus falantes dentro de sua cultura específica.

Em segundo lugar, se quisermos medir de alguma forma e segundo algum critério a “qualidade” das línguas em termos de sua simplicidade, facilidade de aprendizado, praticidade de criar novas palavras, etc., devemos recorrer a uma área da ciência chamada linguística comparada ou comparativa, que faz o cotejo e a análise das semelhanças e diferenças estruturais entre as línguas de todos os seus pontos de vista: fonético, fonológico, morfológico, sintático, lexicológico, semântico e até ortográfico.

Em outro artigo, falei sobre essa especialidade linguística, à qual me dedico formalmente há pelo menos 30 anos e informalmente desde a adolescência. Por meio dela, é possível dizer que o português não é das línguas mais complexas do mundo, mas é mais complexa gramaticalmente do que a maioria de suas irmãs românicas, tendo uma série de irregularidades estruturais que outras línguas não têm ou têm em menor grau, ou, ainda, já tiveram, mas eliminaram. Por exemplo, o português é a única língua-padrão europeia a ter mesóclise, futuro do subjuntivo, pretérito mais-que-perfeito sintético e infinitivo pessoal. É também a língua com a colocação pronominal mais cheia de regras. Do meu ponto de vista particular, embora nenhuma língua seja perfeita (nem o esperanto, idioma artificial extremamente simples em todos os aspectos), há várias línguas próximas ao português com gramática mais simples, pronúncia mais suave e grafia mais lógica do que ele. Quanto a questões subjetivas, como a expressividade ou a beleza poética do idioma, posso garantir que, nas mãos do bom poeta e do bom escritor, qualquer língua é um instrumento perfeito para criar beleza e eloquência.

Mas o chauvinismo linguístico, alheio a todas essas considerações de cunho técnico-científico, endeusa a língua pátria e a cultura que ela expressa sem se dar conta da real importância que essa língua e cultura têm no concerto mundial.

Assim, os falantes ufanistas do português ignoram que nosso idioma, embora seja o quinto mais falado no mundo, só detém essa posição por causa da grande população do Brasil. E que, mesmo sendo muito falada, é muito pouco difundida internacionalmente. Como resultado, também a literatura e a cultura veiculadas por ela são pouco conhecidas, com exceção talvez de Paulo Coelho, das telenovelas brasileiras, do nosso futebol e de alguns artistas da MPB. Em termos de relevância ou interesse dentro da própria Europa, o português ocupa mais ou menos a mesma posição que o norueguês ou o polonês.

No aspecto político, econômico, científico e tecnológico, nenhum país lusófono tem destaque mundial. Portugal foi um grande império colonial no século XVI, mas, mesmo assim, jamais foi uma potência política ou militar na Europa, capaz de influir nos destinos da história do continente, que sempre girou em torno de players mais centrais, como a França, a Inglaterra, a Alemanha, a Áustria e a Itália. Mesmo países periféricos como a Espanha, a Suécia e a Rússia tiveram papel maior que Portugal na história europeia e ocidental. O Brasil é, sem dúvida, a nação lusofalante mais destacada no plano econômico, mas ainda uma economia secundária e pouco confiável. No terreno político, nem Brasil nem Portugal têm peso em termos globais. (Que dirá os demais países de língua portuguesa, como Angola, Cabo Verde ou Timor Leste!) Na verdade, grande parte do noticiário sobre nós que chega ao mundo desenvolvido trata de mazelas como fome e doenças ou acontecimentos folclóricos, como o mau comportamento de nossos dirigentes.

Por tudo isso, vejo com perplexidade e certo desalento as manifestações chauvinistas com relação ao nosso país e à nossa língua. Falta-nos um certo senso de realidade. Mas fazer o quê? A maioria dos povos do mundo não têm nenhuma razão objetiva para se orgulhar de si mesmos, mas se orgulham. O chauvinismo é próprio da natureza humana.

A graça do indulto

Desde que o presidente Jair Bolsonaro concedeu ao seu aliado político, o deputado Daniel Silveira, o indulto individual à pena a que fora condenado pelo Supremo Tribunal Federal, indulto esse chamado tecnicamente de graça, essa palavra veio à baila e ao noticiário nesse sentido em que quase ninguém, a não ser os juristas, a conhecia. Vamos então falar sobre esse vocábulo, um dos mais polissêmicos (isto é, que têm mais significados) da língua portuguesa.

Em primeiro lugar, graça quer dizer favor, mercê. Mas também pode ser benevolência, estima, amizade. Pode ainda, segundo a teologia, ser a participação do homem na vida divina, antes do pecado, assim como um socorro espiritual concedido por Deus. E também perdão, indulgência, indulto (aqui temos o sentido do ato de Bolsonaro). Pode ser algum atrativo pessoal, físico ou moral, um certo charme ou elegância. Pode ser um chiste, uma pilhéria. E ainda o nome de uma pessoa (Qual é a sua graça?). Isso sem falar que há mulheres cujo nome é Graça. Como nome próprio, é também o designativo de três deusas gregas, as três Graças. E de graça quer dizer “grátis”. Pode-se ainda cair nas graças de alguém ou estar em estado de graça. E, até que, no século XVI, o rei de França Francisco I instituísse o tratamento de “majestade” para reis, os súditos se dirigiam ao soberano pelo pronome de tratamento Vossa Graça. Finalmente, é graças à graça presidencial (desculpem o trocadilho) que trato hoje deste assunto aqui no blog.

O que há de comum entre as palavras graça, grato, gratidão, agradecer, agradar, desgraça, desgraçado, engraçado, grátis, gratificar, congratular, agraciar, congraçar, e destas com favor, mercê e obrigado? Na primeira série de palavras fica clara a presença de um radical graç‑, graci‑, grat‑ ou grad‑, que remete à raiz latina grat‑, de gratus, “grato, agradecido”. Portanto, o latim gratia, qualidade de gratus, e que deu o nosso graça, era não só a gratidão de quem recebe um favor, mas também o próprio favor (e está aí a relação com a palavra favor, da qual falarei mais adiante). É que havia entre os antigos a obrigação da reciprocidade, isto é, quem recebe um favor fica em débito, portanto está obrigado a retribuir ao seu donatário (será que hoje essa reciprocidade ainda existe?). E assim temos a explicação de por que dizemos obrigado ao agradecer um favor.

É que favores ou graças são algo que não se tem nenhuma obrigação de prestar, mas se faz por mera generosidade, isto é, “de graça” ou “grátis”. Por isso, em espanhol se diz gracias, em italiano grazie e em francês merci (que quer dizer “mercê”, ou seja, “favor”) em lugar do nosso obrigado. Por isso também, a Virgem Maria é “cheia de graça”, de generosidade. E a exclamação “Graças a Deus!” é uma expressão de agradecimento por uma graça alcançada.

Logo, agradar significa “tornar grato, receptivo, simpático”. E como se granjeia a simpatia de alguém? Sendo alegre, descontraído, bem-humorado, “engraçado”. Daí que graça também passou a significar “alegria, jovialidade” (por exemplo, a graça da mulher brasileira) e, por extensão, “hilaridade, comédia”. Como resultado, o bom humor evoluiu para o senso de humor e o humorismo.

Outra maneira de agradar alguém é gratificando-o – financeiramente, de preferência. Mas há muitas atividades que, mesmo não remuneradas, são gratificantes. E quando alguém faz algo gratificante, para si ou para a coletividade, nós nos congratulamos com ele.

Mas, se a pessoa perde a confiança de seu benfeitor, cai em desgraça. Na Idade Média, o fiel que supostamente caíra em desgraça em relação a Deus se tornava um desgraçado. Esse adjetivo, que inicialmente significava apenas “infeliz”, assumiu uma forte conotação pejorativa, tendo sido até algumas décadas atrás um dos insultos mais contundentes de que dispúnhamos. Hoje em dia, parece estar caindo em desuso, substituído por xingamentos de mais baixo calão.

Voltando ao caso Silveira, é possível dizer que ele foi “agraciado” com o perdão presidencial.

Finalmente, favor, que não tem relação etimológica com graça, mas é seu sinônimo em muitos contextos, também nos deu, através do italiano, favorito, que quer dizer “favorecido”. Assim, quando dizemos que numa licitação pública houve favorecimento a um dos concorrentes, o que estamos dizendo é que a empresa vencedora era favorita desde o início, portanto sua vitória já estava decidida previamente. Fato corriqueiro, mas nem um pouco engraçado, no nosso país. Da mesma forma que anistiar por razões políticas ou pessoais quem é condenado pela justiça não tem a menor graça.

O dengo e a dengue

Ainda nem terminou a pandemia de covid-19, e o Brasil já vê explodirem os casos de dengue, mal que nos assola quase todos os anos dada a dificuldade no combate ao seu transmissor, o mosquito Aedes aegyptii, em parte por descaso de parcela da população, que deixa água acumulada em vasos, latas, pneus, piscinas não tratadas e outros repositórios de água parada que servem de criadouro ao inseto.

Mas de onde veio a palavra que nomeia essa doença? Há uma controvérsia sobre isso. Alguns dicionários trazem dois verbetes distintos com a denominação dengue, o que configuraria um caso de homonímia. Temos então dengue1, proveniente do quimbundo ndenge, cuja forma paralela é dengo, que significa “birra, melindre, faceirice, requebro”. É aquele charminho que as crianças – e também certos adultos, especialmente mulheres – fazem, donde chamá-los de dengosos. E temos também dengue2, de origem castelhana, referente à doença contagiosa propriamente dita.

Só que o dicionário etimológico Corominas da língua espanhola só registra uma entrada para dengue e a ela atribui tanto o significado de “melindre” quanto o de “doença epidêmica”. Segundo essa obra, por sinal um dos melhores dicionários etimológicos que existem, tal palavra seria de origem expressiva na primeira acepção e relacionada a outras, como dingolondango, “mimo”, tenguedengue, “melindre, afetação”, e tenguerengue, “a ponto de cair”. Portanto, justamente aquela acepção que em português se atribui ao quimbundo, língua africana falada em Angola, parece ser tão castelhana quanto a segunda, a de doença.

No entanto, como a palavra data em espanhol de 1732, época em que os colonizadores ibéricos já traficavam escravos da África, não é impossível que a língua espanhola tenha tomado o vocábulo do quimbundo. Quanto aos supostos cognatos dingolondango, tenguedengue e tenguerengue, tudo pode não passar de mera coincidência. Esses impasses deixam louco qualquer etimólogo.

Pelo menos, no Brasil fazemos a distinção entre o dengo, isto é, a qualidade de quem é dengoso, e a dengue, enfermidade que mata pessoas todo ano, de modo que, qualquer que seja a origem da palavra – ou das palavras, caso sejam de fato homônimas –, jamais associamos os sintomas da infecção com uma possível frescura do doente.

De onde vem o nome da Páscoa?

Novamente estamos na Semana Santa e desta vez podemos comemorá-la com um pouco mais de esperança, já que a pandemia de covid-19 parece estar chegando ao fim. Em compensação, passaremos mais uma Páscoa sem que a humanidade esteja totalmente em paz, haja vista a insana guerra agora travada entre Rússia e Ucrânia.

Em todo caso, já que é Páscoa, vamos explorar um pouco a origem do nome dessa festa. O termo Páscoa nos chegou através do latim Pascha – donde o adjetivo pascal ao lado de pascoal –, por sua vez do grego Πάσχα (Páskha), empréstimo direto do aramaico PasHâ’. Para quem não sabe, o aramaico, língua semítica descendente do hebraico, foi a língua nativa de Jesus.

PasHâ’ proveio do hebraico פֶּסַח (Pessach ou Pesaḥ), termo usado originalmente para designar uma festa judaica comemorando o Êxodo e cujo significado é “passagem”. (Aqui cabe um alerta: a semelhança fonética entre o hebraico pessach e o português passagem é fortuita, pois não são cognatos.) Como se sabe, Jesus foi a Jerusalém para as comemorações da Pessach, ou Páscoa Judaica, quando foi preso, torturado e morto na cruz. Segundo os Evangelhos, Jesus foi crucificado na sexta-feira e teria ressuscitado exatamente no domingo da Pessach, razão pela qual a Páscoa passou a ser também uma festividade cristã, com novo significado: agora não mais a fuga do povo judeu do cativeiro no Egito, mas a ressurreição de Cristo.

Mas, se o termo latino é Pascha, por que em português temos Páscoa e não Pasca, como seria de se esperar? É que o vocábulo se alterou por influência do latim pascua, feminino do adjetivo pascuus, “próprio para pastagem”, derivado do verbo pascere, “apascentar o gado”. Pascua (subentendido terra) era a terra própria para pastagem, ou seja, o pasto. A causa dessa confusão entre Pascha, “Páscoa”, e pascua, “pastagem” seria o término do período de jejum, que se dava na Páscoa, quando as pessoas podiam enfim voltar a se alimentar, visto que, além de “pasto”, pascua tinha o sentido mais geral de “alimento dos animais” – e, por extensão semântica, dos homens.

Curiosamente, o inglês e o alemão utilizam termos de outra etimologia para designar a Páscoa: o termo em inglês é Easter, proveniente do antigo inglês Ēastre ou Ēostre; em alemão, temos Ostern, descendente do antigo alto alemão Ōstarun. A hipótese geralmente aceita afirma que Ēostre era originalmente o nome da deusa anglo-saxônica do amanhecer. Ou seja, a data celebrava originalmente uma divindade pagã. Não por acaso, Easter e Ostern têm relação com as palavras East em inglês e Osten em alemão, ambas significando “leste, oriente, nascente”, já que o amanhecer se dá nesse ponto cardeal. Também cognatos são o sânscrito uṣrā́, o grego ἠώς (ēṓs) e o latim aurora, todos com o significado de “amanhecer”. E todos radicados no indo-europeu *aus‑ (ou *h2us‑), “branco, brilhante”, que em português sobrevive nas palavras austral e ouro (do latim aurum).

A relação entre a festa pagã e a cristã não é clara, mas possivelmente tenha sido motivada pela ideia de renascimento, já que o Sol renasce todas as manhãs, assim como Jesus teria renascido após a crucificação. Outra explicação liga a ideia de “aurora” com a alba paschalis (aurora pascal), designação que aparece já no século V para a manhã da Páscoa. E albus, alba, album significa “branco” em latim (“alvo” em português, donde a estrela d’alva ou estrela da manhã).

As demais línguas germânicas utilizam palavras derivadas de Pascha ou Pascua, como o holandês Pasen, o sueco Påsk e o antigo gótico Pāska. Daí também provêm o espanhol Pascua, o francês Pâques e o italiano Pasqua.

Então só me resta agora desejar feliz Páscoa a todos!

A pobreza do debate na internet

Toda unanimidade é burra, já dizia Nelson Rodrigues. Ao que alguns arrematam com o argumento teológico: “Nem Jesus Cristo atingiu a unanimidade”. Qualquer que seja a posição defendida, sempre haverá apoiadores e detratores. Alguns economistas e analistas políticos são declaradamente de esquerda; outros são assumidamente neoliberais. Certos gramáticos são tradicionalistas, outros mais reformistas. O problema é que, tanto quanto a unanimidade, toda rotulação é burra: ninguém é só uma coisa ou só outra. E os rótulos resultam em geral de uma avaliação apressada, quando não preconceituosa. A discordância e o debate de ideias são absolutamente saudáveis numa sociedade democrática. Mais do que isso: são imprescindíveis. Entretanto, esse debate se vê empobrecido por certas posturas, que a internet ajuda a revelar.

Lendo notícias na web ou os blogs de meus colunistas preferidos, sempre dou uma olhada nos comentários que os leitores postam. Por sinal, antigamente o jornalismo era um monólogo: o articulista escrevia, o leitor lia, e pronto. Hoje, graças à tecnologia, a relação ficou mais interativa, de modo que é possível fazer o contraponto entre a ação e a reação. Para estudiosos do discurso como eu, é fascinante comparar o que o autor disse e o que os leitores entenderam. Mas, em muitos casos, é também decepcionante.

Se é verdade que alguns comentários são brilhantes, complementando e enriquecendo os argumentos do autor da matéria, bem como lançando perguntas que ensejariam um novo artigo, há outros para os quais vale a máxima chinesa “a palavra é prata, o silêncio é ouro”.

Em primeiro lugar, boa parte dos comentários postados em blogs e sites de notícias é bem mal redigida. E não me refiro apenas a erros de grafia ou gramática, mas à falta de concatenação das ideias, um vácuo mental de quem quer se expressar, mas não sabe fazê-lo. E como quem não se expressa com clareza em geral não pensa com clareza, é de se deduzir que tais pessoas dificilmente entendem o que leem – portanto atiram no que não veem. (Fico ainda mais estarrecido ao ler comentários desse tipo em blogs que tratam da língua portuguesa.)

Em segundo lugar, muitos leitores questionam as afirmações do texto de maneira superficial, apoiados apenas no senso comum, sem meditar mais profundamente sobre o tema, sem se informar a respeito para saber o quanto daquilo realmente procede. Em certos casos, leitores acusam de achismo ou viés pessoal informações objetivas, de cunho científico, fundamentadas por farta documentação (evidentemente, não é usual incluir bibliografia em matérias jornalísticas, o que não significa que ela não exista). A situação é ainda pior quando o artigo contrapõe a racionalidade ao senso comum, mostrando o quanto a intuição do leigo sobre a realidade é equivocada, quão estreita é sua visão, como frequentemente acontece em matérias sobre biologia evolucionária, cosmologia, política, economia e mesmo sobre a língua. Nesses casos, uma crítica vazia, sem embasamento, acaba produzindo exatamente o efeito inverso do que pretende, isto é, provando a estupidez do senso comum.

Mas há também o dogmatismo. Política, futebol e língua são assuntos-tabu tanto quanto a religião. Nesses casos, se o dogma está em desacordo com a realidade, errada está a realidade, não o dogma. Se o autor do texto é identificado, ainda que erroneamente (por leitura superficial ou rotulação burra), como adepto de uma linha de pensamento diferente da do leitor, este por vezes nem se dá ao trabalho de ler e já discorda a priori de tudo o que não leu.

Temos ainda a leviandade, irmã siamesa da arrogância, facilitada pelo suposto anonimato que a rede proporciona. Aí entra a acusação de se ter dito o que não se disse, a crítica pela crítica (mais raramente o elogio pelo elogio), e para tal vale de tudo, até desconsiderar todas as qualidades da matéria para se apegar a algum deslize perdoável do autor – ou do revisor.

Por último, há a pura e simples falta de polidez. Que o leitor discorde do conteúdo ou das posições do texto, não importa se com razão ou não, é um direito seu. Mas muitos abusam dessa fantástica possibilidade tecnológica de exercer online e em tempo real o direito à liberdade de expressão para insultar as pessoas citadas na matéria, quando não o próprio redator. Aristóteles, em suas Refutações Sofísticas, já alertava para a falácia do argumentum ad hominem: a grosseria é o argumento de quem não tem argumentos.

Em resumo, nunca tivemos tanta facilidade de debater ideias e opiniões na mídia como nos dias de hoje; nunca o receber e o transmitir informação foram tão fáceis e acessíveis como agora; e, no entanto, muitas pessoas desperdiçam essa oportunidade falando sem ter o que dizer.

Nossa formação baseada em educação ruim e cultura alienante deve ter-nos deixado assim. Pelos artigos que tenho lido e pelos comentários que lhes são apostos, chego à conclusão de que no Brasil não faltam cabeças pensantes: falta quem as compreenda.

A doença de Bruce Willis

Esta semana foi revelado que o ator americano Bruce Willis teve de se aposentar das telas por causa de uma doença que afeta sua capacidade de falar chamada afasia. Trata-se de uma condição neurológica causada por lesão no cérebro que pode ser devida a acidente, derrame, tumor ou processo degenerativo. Parece que o caso do ator é este último. Outra celebridade que também sofre dessa patologia é o ex-locutor esportivo Osmar Santos, que perdeu a faculdade da fala após um acidente automobilístico que lesou a região de seu cérebro responsável pela linguagem, a chamada área de Broca.

A afasia é uma velha conhecida dos linguistas. É graças ao estudo de pacientes com essa doença que uma área da linguística chamada psicolinguística conseguiu, juntamente com a neurociência, descobrir como o cérebro humano processa a linguagem. Hoje já se sabe que a aptidão linguística está ligada à atividade do hemisfério esquerdo do cérebro, onde se localiza a supracitada área de Broca, que tem esse nome por ter sido descoberta no século XIX pelo médico francês Paul Broca.

A área de Broca localiza-se no giro frontal inferior e, juntamente com a área de Wernicke, descoberta pelo neurologista alemão Carl Wernicke, é responsável pela decodificação das mensagens faladas ou escritas em termos fonológicos, léxicos e sintáticos e pela codificação das respostas motoras (isto é, da fala) a essas mensagens.

Os afásicos geralmente compreendem perfeitamente o que lhes é dito, mas têm dificuldade ou mesmo impossibilidade de formular enunciados. Certos tipos de afasia afetam apenas algumas faculdades linguísticas, como o vocabulário ou então a sintaxe. Por exemplo, certos pacientes, quando lhes é mostrada a figura de um rato, dizem: “Eu sei que animal é, é um bicho extremamente nojento, mas não consigo dizer o nome dele”. Outros dominam as palavras, mas não conseguem formar frases; suas emissões limitam-se a duas ou três palavras encadeadas, como “eu quero” ou “muito obrigado”. Há ainda aqueles que só emitem sílabas. O doutor Broca descobriu a função linguística da área cerebral que leva seu nome justamente ao autopsiar um paciente que só conseguia pronunciar tan.

Os avanços da neurociência têm demonstrado que os vários níveis da estruturação linguística – fonético-fonologica, morfológica, sintática, semântica – são comandados por diferentes módulos cerebrais. Isso explica por que, dependendo do tipo e da localização da lesão, o resultado em termos de déficit linguístico é diferente. Por conseguinte, há inúmeros tipos de afasia reconhecidos pela medicina. Dependendo do tipo, pode haver (ou não) uma estratégia específica de tratamento para minorar os prejuízos causados por essa deficiência. Em certos casos, estimula-se o córtex cerebral direito a fim de que desenvolva supletivamente e de forma compensatória as habilidades linguísticas perdidas pelo esquerdo.

A psicolinguística é um campo fértil de investigações científicas, e suas constantes interações com a neurociência a tornam uma área de fronteira onde se desenvolvem pesquisas de ponta sobre a linguagem e sobre o cérebro humano.

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Em tempo: quero aqui prestar minha homenagem à imortal Lygia Fagundes Teles, que faleceu ontem aos 98 anos. Viveu muito e viveu bem; escreveu muito e escreveu maravilhosamente bem!

Envolver a língua portuguesa

Na semana que passou, a cantora Anitta, que completa 29 anos hoje, realizou um feito inédito e memorável: tornou-se a primeira artista brasileira a chegar ao top one da plataforma de streaming Spotify com o sucesso Envolver. Claro que devemos estar contentes e orgulhosos com essa conquista, pela qual Anitta merece nossos parabéns, afinal trata-se de uma vitória no universo extremamente competitivo da música pop mundial. Mas acho que aqui também cabem algumas considerações sobre esse fato.

Em primeiro lugar, a música popular brasileira não vive hoje seu melhor momento. Pelo contrário, nosso país, que já produziu gênios como Noel Rosa, Ary Barroso, Dorival Caymmi, Tom Jobim, João Gilberto, Chico Buarque, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Elis Regina, hoje tem como mainstream musical gêneros popularescos como o sertanejo e o funk. Mesmo a MPB de hoje em dia não tem produzido nomes com perspectivas de passar à posteridade. Que me perdoem os fãs de Anitta e da música atual se meu comentário parece ter um ranço saudosista, mas qualquer crítico musical sério pode confirmar o que estou dizendo. Aliás, esse cenário é um reflexo do próprio momento que o Brasil e o mundo estão vivendo.

Nesse contexto, Anitta se torna a número um do ranking musical mundial com uma canção “descartável”, num ritmo caribenho que visa a atingir sobretudo o público da América Latina e o grande mercado dos hispânicos que vivem nos Estados Unidos, tudo produzido segundo uma estética estritamente norte-americana e cantada em… espanhol. Quanta brasilidade!

É neste último ponto que, como linguista, gostaria de centrar a minha análise. Embora o Brasil seja o mais importante país da América Latina tanto em termos políticos e econômicos quanto culturais, é a única nação do continente a falar português. E nosso idioma, assim como toda a cultura que produz, é bastante periférico em termos mundiais. Não só não tem a importância histórica de línguas europeias mais “centrais”, como o francês, o inglês, o italiano e o alemão, como ainda sofre a concorrência de uma língua muito próxima à nossa e que, no último meio século, ganhou importância internacional: o espanhol. Sim, a língua de Cervantes já é a terceira mais importante língua europeia (em alguns casos até mesmo a segunda), atrás apenas do inglês e do francês. Justifica essa posição a enorme presença dos países hispanofalantes no hemisfério ocidental e o gigantesco mercado que representam. A própria comunidade hispânica dos Estados Unidos, por seu tamanho e peso político, fez com que o espanhol se tornasse a segunda língua daquele país, o que, convenhamos, não é pouca coisa. Some-se a isso o aumento da relevância da Espanha no âmbito da União Europeia, no que não é acompanhada por Portugal.

Por outro lado, a semelhança entre o espanhol e o português leva muitos estrangeiros que já sabem falar castelhano a não se interessar em aprender nosso idioma, uma vez que conseguem se comunicar conosco sem maiores embaraços.

Não faz muito tempo, costumava-se dizer que a ignorância dos países desenvolvidos em relação a nós era tanta que os americanos acreditavam que a capital do Brasil fosse Buenos Aires. (Hoje eles já sabem que é o Rio de Janeiro rs rs.) Infelizmente, ainda hoje, as notícias que chegam a eles sobre nós continuam a ter grande dose de folclore, já que nada de importante acontece ao sul do Equador. Sem dúvida, temos grandes artistas que fazem sucesso lá fora, mas, na maioria dos casos, ainda se trata de um sucesso localizado (por exemplo, apenas no Japão ou em certos países europeus) e que atinge um público mais elitizado, de cabeça mais aberta, que conhece e aprecia música além do que é oferecido pelas plataformas de streaming e pela indústria do marketing cultural.

É certo que nem Carmen Miranda, nem Tom Jobim, nem Milton Nascimento chegaram ao top one do Spotify (na época em que brilharam, por sinal, nem havia essa tecnologia), mas fizeram – e ainda fazem – sucesso levando ao mundo uma música verdadeiramente brasileira, única e original mesmo quando incorpora aqui e ali, de maneira discreta, elementos do jazz ou do rock anglo-saxônicos. Não vejo essa mesma qualidade em Anitta: parece que ela se rendeu totalmente ao sistema do show business americano, pondo a meta do sucesso planetário e do dinheiro que o acompanha acima do primor estético, da riqueza de conteúdo e da exaltação da nossa cultura.

Ironicamente, o filme brasileiro que concorreu este ano ao Oscar é um documentário rodado nos Estados Unidos e falado em inglês abordando a questão dos sem-teto norte-americanos. Parece que é só assim, na terra e na língua deles, que nós brasileiros temos condições de competir hoje em dia.

Qual é o plural de “Oscar”?

Ontem, com a cerimônia de entrega do Oscar 2022, ressurgiu a dúvida: qual é o plural de Oscar? Essa palavra é um daqueles nomes próprios que tendem a se tornar comuns, como gilete e band-aid (ou bandeide). No entanto, enquanto gilete pode ser qualquer lâmina de barbear, seja ou não da marca Gillette, o Oscar continua sendo por enquanto um prêmio único, conferido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, e não qualquer prêmio cinematográfico; por isso, muitos dicionários não o registram como substantivo comum (embora a Wikipédia em português traga a grafia Óscar e seu plural Óscares). O mesmo vale para o prêmio Nobel, cuja grafia nobel e plural nobéis não são reconhecidos pela maioria das gramáticas.

Como se pluraliza então um nome próprio estrangeiro? Nesse ponto, os gramáticos também divergem, mas, de modo geral, vale a regra do emprego da forma plural da língua de origem. Assim, o plural de blitz em português é blitze (como em alemão). Só que essa regra exige que o redator seja poliglota (será que todos sabem o plural dos substantivos em alemão?), razão pela qual se permite a formação de um plural à moda portuguesa (isto é, acrescentando-se s), como em pizza x pizzas (e não pizze, como em italiano), o que soa mais familiar para nós.

Por tudo isso, entendo que o plural óscares (como dólares) só é possível se tivermos um substantivo comum singular óscar. De fato, o VOLP – Vocabulário Oficial da Língua Portuguesa – registra essa forma, indicando que já se trata de um substantivo comum. Mas penso que ganhar um Oscar é como comprar um Ford: ninguém compra um forde, pois esse carro não existe. Logo, ou o sujeito ganhou “dois Oscar” (pois antropônimos em geral não admitem plural) ou ganhou “dois Oscars”, com plural à moda inglesa. Tenho notado que, na dúvida, os jornalistas costumam, nesse caso, dizer que o ator Fulano de Tal voltou para casa com duas estatuetas.