A supersimetria que governa o Ocidente

Hoje quero compartilhar com vocês, leitores queridos, duas novidades: a primeira é a nova versão do meu site pessoal, www.aldobizzocchi.com.br, muito mais bonita e interativa, onde vocês encontram a minha biografia, meus livros, minhas palestras, meus cursos, minhas entrevistas à imprensa e muito mais.

A segunda — e a mais importante — é que acabei de lançar o portal Supersincronicidade – O Espelho Invisível, cujo endereço é www.supersynchron.com, onde apresento uma descoberta extraordinária que fiz ainda na adolescência, sobre a qual passei anos pesquisando e agora trago a lume. Trata-se do seguinte: há mais de mil anos se verifica uma misteriosa conexão em fatos da geografia, história, línguas, cultura e outros fatos sociais dos países do Ocidente, isto é, do norte e do sul da Europa, e das Américas do Norte e do Sul, tendo, portanto, implicações importantíssimas no próprio destino dessas nações, cuja relevância nem é preciso mencionar, já que formam o cerne da Civilização Ocidental, a mais importante, influente e abrangente civilização de todos os tempos.

Ao longo de anos, coletei centenas de evidências de que existe um paralelismo invisível entre as nações latinas e as germânicas, uma simetria em muitos casos tão perfeita que não pode ser obra do acaso, mas tampouco pode ser explicada pelo conhecimento científico de que dispomos atualmente. Essa descoberta, por sinal, deu origem a uma teoria que chamei de Supersincronicidade, a qual estou expondo, juntamente com abundantes exemplos, no portal de mesmo nome, que convido vocês a visitar — e ficar tão perplexos quanto maravilhados! E — por que não? — a divulgar aos seus amigos e contatos.

É preciso dizer que até hoje não há uma explicação científica para esse intrigante e desconcertante fenômeno, que conecta e entrelaça a história, a geografia, a cultura e diversos outros fatos sociais da França e da Inglaterra, da Itália e da Alemanha, dos países ibéricos e escandinavos, do Brasil e dos Estados Unidos, dentre outros, bem como estabelece incríveis simetrias e analogias na fonética, ortografia, morfologia, sintaxe e léxico das línguas românicas e germânicas par a par, isto é, entre francês e inglês, italiano e alemão, espanhol e sueco, português e norueguês, e assim por diante.

O subtítulo do portal — O Espelho Invisível — se deve ao fato de ambas as famílias de povos formarem uma espécie de imagem especular uma da outra, como se cada país ou povo de uma família, com sua língua, sua história e sua cultura, fosse o reflexo no espelho do país ou povo da outra família que é seu “gêmeo”.

Já o título Supersincronicidade remete ao conceito de sincronicidade, proposto pelo psicanalista suíço Carl Gustav Jung. Para ele, sincronicidades são coincidências significativas sem causa aparente, isto é, fatos paralelos demais para serem considerados mera coincidência, mas que não têm uma causa óbvia ou lógica que os explique. Jung chamou tais fatos de conexões acausais, isto é, que se estabelecem sem causa detectável no mundo físico, mas cuja causa estaria num nível hiperprofundo da realidade que ele chamou de inconsciente coletivo. A sincronicidade seria então um tipo de coincidência que envolve duas pessoas sem que haja uma relação aparente de causa e efeito e sem que elas tenham consciência disso (por exemplo, quando uma pessoa se lembra de alguém que não vê há muito tempo e, minutos depois, exatamente essa pessoa telefona).

Vários estudos sugerem que essas coincidências podem ser explicadas pela física quântica — alguns físicos falam em entrelaçamento ou ação não local. Um desses físicos, por sinal, foi Wolfgang Pauli, prêmio Nobel e um dos fundadores da mecânica quântica, que colaborou nas pesquisas de Jung. Haveria, portanto, uma convergência entre a teoria junguiana e os fenômenos quânticos.

O problema é que, como essas coincidências, por mais significativas que sejam, ocorrem raramente e envolvem apenas duas pessoas — ou apenas uma —, é difícil saber se existe uma lei física ou psíquica até agora desconhecida por trás do fenômeno ou se tudo não passa de acaso. Mas, quando certas coincidências se repetem muitas e muitas vezes, envolvem nações inteiras, de ambos os lados do Atlântico, e ocorrem há mais de um milênio, deve haver algo aí que não resulta de mera casualidade. Nesse caso, não teríamos apenas sincronicidade, mas o que chamei de supersincronicidade.

Bem, não vou falar mais para não dar spoiler. Acessem o portal e tirem suas próprias conclusões. Além disso, também lancei um vídeo sobre o assunto no meu canal do YouTube, o Planeta Língua. O link é https://youtu.be/OgM7mE2d65w. Ah, e não deixem de visitar também o meu novo site pessoal! Ambos os sites estão muito bonitos, funcionais e interativos (modéstia à parte).

Aguardo vocês lá, ok?

A quem pertence realmente a Seleção Brasileira?

Daqui a dez dias começa a Copa do Mundo de Futebol, cercada mais uma vez de grande expectativa e da esperança do sonhado hexa. A cada quatro anos, a publicidade apela ao nosso sentimento patriótico, afinal Nelson Rodrigues já havia dito muito tempo atrás que o futebol é a pátria em chuteiras. Por isso, uma vitória da seleção brasileira no Mundial é sempre vista como uma vitória da nacionalidade, assim como a derrota, uma mácula em nossa história.

De fato, o futebol nunca deixou de ser uma representação simbólica da guerra. Uniformes, hinos, bandeiras, campo, capitão, ataque, defesa, tática, estratégia, todos esses elementos da prática futebolística remetem à esfera militar. Um time de futebol é um pequeno exército defendendo uma nação, seja a nação corintiana, a nação flamenguista ou qualquer outra. E o sentido de nação é tão presente que não só os times pelejam simbolicamente como as torcidas guerreiam de verdade. Dentro do campo há adversários, mas fora há inimigos.

Se isso vale para times, tanto mais vale para seleções. A execução dos hinos nacionais antes das partidas, as camisas com as cores da bandeira pátria, tudo nos faz crer que é a nossa nação que está em campo lutando contra outras nações. Nesse contexto, a desclassificação representa uma humilhação perante o mundo. E uma derrota por goleada, como o fatídico 7 a 1 de 2014, é a humilhação suprema, equivalente à aniquilação do Estado, à perda da independência, subjugados que fomos pelas tropas estrangeiras.

Mas será tudo isso mesmo verdade? A seleção canarinho é de fato nosso exército defendendo a pátria ou é isso o que a mídia nos induz a acreditar?

Até onde sei, os clubes de futebol e também a CBF são sociedades de direito privado com fins lucrativos — e bota lucrativo nisso! Afinal, as verbas de publicidade dos patrocinadores da Seleção vão para os cofres da confederação e não para o erário público. A vitória da Seleção não se traduz em mais saúde, educação e segurança para o povo brasileiro. Os jogadores da nossa seleção não estão lá por um dever patriótico e sim por um salário milionário.

Em outros tempos, quando jogar futebol era uma atividade marginal que nenhum pai ou mãe gostaria que seu filho exercesse, jogava-se por vocação e por amor à camisa. Naqueles tempos, um jogador começava e terminava sua carreira num mesmo time, sempre em seu próprio país.

Hoje, quando garotos vão jogar no Exterior antes mesmo de chegar à idade adulta e, portanto, jamais jogaram profissionalmente em seu país, faz algum sentido apelar ao seu sentimento patriótico? Que patriotismo se pode esperar de uma seleção como a suíça, cuja metade do elenco não nasceu na Suíça? Nesse nosso futebol globalizado, em que temos franceses com nome de Mbappé e Pogba, belgas chamados Chadli e Fellaini, e russos com sobrenome Fernandes, e em que um jogador de futebol troca de nacionalidade como troca de camisa, ao sabor de seus interesses financeiros, que sentido tem falar em pátria de chuteiras, pintar a rua com as cores da bandeira, pôr a mão no peito na hora de cantar o hino?

É claro que é legal torcer pela Seleção, é legal ver o Brasil vencer, embora eu ache um exagero suspender as atividades profissionais na hora do jogo, mas a vitória ou a derrota do nosso escrete não muda nada em nossa vida diária, não resolve nossos problemas, nem os pessoais nem os nacionais. E parece que o nosso povo está se conscientizando disso, tanto que hoje o futebol já não cria uma cortina de fumaça sobre a nossa política nem é mais o ópio do povo como em tempos passados — talvez pela própria falta de entusiasmo que nossa atual seleção ancelótica produza. Quem está desesperançado com os destinos da nação não gasta mais dinheiro com pincel e tinta verde e amarela nem perde de vista a crise moral em que vivemos. Hoje a imagem de um Neymar rolando no gramado combalido de dor já não nos comove mais, pois sentir dor ganhando milhões é bem diferente de sentir dor na fila do SUS.

Faz tempo que eu deixei de ver a Seleção Brasileira de Futebol como o exército do meu país me defendendo no campo de batalha. Se nem os exércitos de verdade representam nações, mas antes governos, como poderia um grupo de esportistas muito bem remunerados e recrutados por uma entidade privada para competir num evento promovido por outra entidade privada representar nosso povo? Claro que eu torço pela Seleção. Mas em nenhum momento deixo que esses sentimentos se misturem com o que sinto pelo Brasil como país. E jamais desvio minha atenção daquilo que realmente importa em minha vida, em nossas vidas.