A maldade humana é predominantemente masculina

Fiquei chocado com o vídeo que viralizou na internet na semana passada, em que estudantes de medicina veterinária da Unoeste castram um cachorro sem anestesia, sem equipamentos adequados e, ao que parece, em uma república, que obviamente não tem nenhuma estrutura para um procedimento cirúrgico. Felizmente, a universidade houve por bem – e por pressão da opinião pública – expulsar os “açougueiros”.

Mas essa ocorrência me fez pensar. Não tenho em mãos dados estatísticos, porém me parece que as mulheres são maioria entre os estudantes e os profissionais de veterinária, e é raro ouvir falar de alguma barbaridade praticada contra animais ou seres humanos por mulheres, veterinárias ou não. Parece que elas escolhem essa carreira por amor aos bichos, ao passo que os homens nem sempre.

Os trotes violentos que costumavam acontecer em faculdades de medicina também eram predominantemente capitaneados por alunos do sexo masculino, o que me levava a perguntar: ser médico não é querer livrar o ser humano do sofrimento? Então por que futuros médicos infligiam sofrimento aos calouros, chegando até a matar alguns deles?

Se olharmos a população penitenciária, constataremos que ela é quase totalmente masculina. Mulheres são minoria nas cadeias e geralmente são presas por crimes sem violência. Aliás, mulheres costumam visitar seus companheiros na prisão; já o inverso raramente acontece.

Feminicídios, como o próprio nome indica, são crimes praticados por homens contra mulheres, em geral suas (ex-)companheiras. Até hoje não se ouviu falar de viricídio, ou seja, crime praticado por uma mulher contra seu companheiro ou ex. Igualmente, estupro é um crime exclusivamente masculino.

Mas, de modo mais geral, se observarmos as atitudes que, assim como o crime, fazem mal à humanidade, como a destruição do meio ambiente, a ganância por dinheiro, a agressividade contra o próximo, a opressão, a corrupção na política, veremos sempre um predomínio dos homens sobre as mulheres. No caso específico da política, o próprio ambiente tóxico da esfera estatal parece afugentar as mulheres. E, no entanto, sou daqueles que acreditam que um mundo governado por elas seria, sem dúvida, um mundo melhor.

Em resumo, parece que a maldade, atributo exclusivamente humano, é também essencialmente um atributo masculino. Não que não haja mulheres más, mas os serial killers, os grandes ditadores, os assediadores morais e sexuais, os desordeiros, os sádicos, os perversos, os desumanos são quase sempre homens.

A genética e a evolução natural explicam esse caráter, Mas, desde que deixamos a selva e, portanto, paramos de nos comportar como animais selvagens para nos tornarmos civilizados, esse impulso agressivo e predatório do homem deixou de ser uma vantagem evolutiva e passou a ser um mal social. Como homem que pensa e reflete, não posso deixar de ser a favor do feminismo e – por que não? – de um mundo mais feminino, no sentido de um mundo com mais cuidado e mais bondade.

9 comentários sobre “A maldade humana é predominantemente masculina

  1. Caro dr. Aldo, vou discordar desta vez. Não creio que um mundo dirigido por mulheres seria melhor. Para mim, as mulheres são igualmente más. Basta que alguma coisa lhes interesse. Por poder e/ ou dinheiro principalmente, são capazes de tudo.

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  2. Vide a Suzane von Richthofen; Anna Carolina Jatobá; Elize Matsunaga etc.

    Características dos psicopatas: “valores éticos e morais reduzidos e/ou nulos, déficit de afetividade (piedade; compaixão; altruísmo; remorso; culpa; vergonha etc.) e desejos deformados”!

    Guido Palomba

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  3. Sem discordar da sua argumentação em linhas gerais, porque me parece que a maior maldade dos homens maus está ligada à conspicuidade da violência dos atos maus que praticam, eu discordaria dela no que se refere à supostamente menor ubiquidade da maldade entre as mulheres: talvez a proporção de mulheres más entre as mulheres em geral não seja muito diferente da proporção de homens maus entre os homens em geral, mas os seus atos maus serão, em geral, certamente menos violentos.

    Ocorreu-me a naturalidade com que também as mulheres tiveram os seus escravos, ainda que provavelmente não os castigassem com a mesma frequência e violência que os homens; com que apoiaram o nazismo na Alemanha, ainda que, em geral, não compusessem as forças militares e paramilitares; com que mulheres brancas também apoiaram regimes de apartheid, mesmo nos seus estertores.

    Se prevalecem os homens entre os que praticam atos de extrema maldade, também os ativistas mais proeminentes entre os que se opõem a esses horrores todos, os que dão a própria vida na luta contra esses horrores, são em geral homens.

    Enfim, o que me parece subjazer à sua argumentação é que homens são, em geral, mais agressivos que as mulheres, em geral, sejam os bons, sejam os maus. Não me parece um ponto muito polêmico este.

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