A política do ódio

Todo extremismo tende a aceitar, ou até mesmo defender, a violência como método. Vemos isso no Irã dos aiatolás, na Venezuela de Maduro, no Brasil da ditadura militar (e de ambos os lados, tanto o do regime quanto o dos militantes socialistas). Mas percebo uma diferença crucial entre a extrema-esquerda e a extrema-direita: embora ambas achem legítimo o uso da força para impor sua visão de mundo, os radicais de esquerda parecem ser movidos por um fanatismo quase religioso, em que se sentem detentores do monopólio da Verdade (aquilo a que chamam “estar do lado certo da História”) e por isso acham justos assaltos a bancos, atentados terroristas, etc., em nome de sua causa, ao passo que os extremistas de direita são movidos por muito ódio — ódio à democracia, ódio às liberdades individuais (exceto as suas, é claro), ódio às minorias, ao meio ambiente, aos animais…

Noto um traço comum a todos os direitistas radicais, como Jair Bolsonaro (que, diante de milhares de mortos pela covid-19, disse “e daí, não sou coveiro”), seu filho Eduardo, os ex-deputados Daniel Silveira, Roberto Jefferson e Carla Zambelli (a qual responde a uma gozação com uma arma em punho), Donald Trump, J. D. Vance, Pete Hegseth, Kristi Noem (a xerifa do ICE, que executou a tiros seu próprio cachorro), e muitos outros: o amor que esses indivíduos têm às armas (as portadas por cidadãos comuns e as usadas nas guerras, que eles adoram promover) tem o mesmo tamanho do desprezo que eles têm pelos mais pobres e desprotegidos, por todos aqueles que para eles são losers (“perdedores”, em inglês), incluindo animais indefesos como o cãozinho Orelha. Para eles, só o dinheiro e o poder importam, e tudo o que atrapalhe o seu projeto político deve ser eliminado, inclusive pessoas. Para isso, não hesitam em lançar mão de mentiras e de apontar para um suposto inimigo (os judeus na Alemanha nazista, os imigrantes na América de hoje, os intelectuais, os artistas, as mulheres, os gays, e assim por diante). E, para combatê-los, não bastam as medidas legais, é preciso acrescentar muita truculência. O radicalismo que se esconde sob o eufemismo de “conservadores” é turbinado por pura maldade.

A extrema-direita é basicamente composta por pessoas más, perversas, cruéis, sádicas. Pessoas que não apenas querem prender ou banir seus alegados inimigos, mas querem antes humilhá-los e torturá-los, como o latrocida que não se contenta em roubar, mas precisa matar, mesmo depois de já ter obtido o que desejava.

Não que todas as pessoas desalmadas e sem empatia sejam de extrema-direita, mas penso que todos os militantes e simpatizantes dessa ala são abjetos, desalmados, pérfidos. O extremo direito do espectro político é o lugar ideal para brigões, encrenqueiros, grosseirões e também para sociopatas de toda ordem. O crescimento dessa corrente no mundo inteiro acende um alerta: pessoas comuns, que não têm necessariamente perfil antissocial, estão aderindo a essa facção por ignorância, falta de cultura política — e geral — e crença ingênua em falsos profetas que prometem soluções milagrosas, o que as torna mera massa de manobra nas mãos de canalhas. Pior do que quem pratica o mal é quem nele consente.

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