A pela, a pala, a bola

Você sabe por que o jogo de futebol de domingo no campinho de terra se chama pelada? Nada a ver com pelado, estado de quem está nu, palavra esta derivada de pele (isto é, a quem se tirou a pele ou que está com toda a pele à mostra). A pelada tem esse nome porque tradicionalmente se jogava com uma bola de meia: os garotos pobres envolviam várias meias umas nas outras até constituírem uma bola de tamanho razoável. Só que essa bola era macia e elástica como a pela. Mas o que é pela? Do latim pila, era a bola feita de tripa e recheada de crina (portanto, uma bola bem elástica) usada no jogo da pela, um antigo esporte praticado com raquete, bem semelhante ao tênis.

De pela saiu o diminutivo pelota, “bolinha”, designativo da bola de futebol (e de outros jogos) em espanhol e também de caroços que nascem na pele (por extensão, qualquer formação que lembre um caroço).

Mas, se o latim tinha a pila, o italiano tem a palla, isto é, a bola, vocábulo originário do antigo frâncico *balla, que também deu o francês balle, o inglês ball, o alemão Ball e o sueco boll. Esse termo radica no indo-europeu *bhel‑, “soprar”, que também deu o latim flare, “soprar, inflar”, e o inglês blow.

Já a nossa bola vem do latim bulla, “bolha”, dada a semelhança entre a bola e a bolha (veja a esse respeito o meu artigo Um bolo de significados). Não é curioso como palavras de diferentes origens convergiram na forma e no significado?

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