Imortal, imatável, imorrível

O grego tem dois adjetivos, ambrósios e athanásios, para designar o que chamamos em português de “imortal”. Mas há uma diferença entre eles que nós não fazemos. Ambrósios significa literalmente algo como “imorrível” (ou “imorredouro”, como manda o bom português); já athanásios quer dizer “imatável”. Estranho? Pois, se para nós tanto faz, os gregos distinguiam duas situações que não são, a rigor, idênticas. Nós, seres humanos, somos, digamos assim, morríveis e matáveis, pois podemos morrer tanto de “morte morrida” quanto de “morte matada”. Mas há seres – pelo menos em tese – que podem morrer espontaneamente mas não ser mortos, enquanto outros só morrem quando assassinados, nunca de morte natural. Exemplos? Um vampiro é uma criatura condenada à vida eterna, exceto se alguém lhe cravar uma estaca ao coração ou fuzilá-lo com balas de prata. Ou seja, o vampiro é matável, mas não morrível. Já o vírus da gripe morre espontaneamente após concluir o ciclo de infecção do organismo, mas até agora a medicina não desenvolveu nenhum medicamento capaz de fulminá-lo. Por isso, quando se está gripado, é usual tratar os sintomas e esperar pacientemente o ciclo infeccioso chegar ao fim por si próprio. Dito de outro modo, esse vírus é morrível mas não matável – pelo menos por enquanto.

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