Boa tarde, Prof. Vejo os políticos se acusarem uns aos outros de estarem dizendo inverdades quando de fato estão é falando mentiras. Afinal qual a diferença entre uma mentira e uma inverdade? Obrigado,
Paulo César Lourenço
Caro Paulo, tanto a mentira quanto a inverdade correspondem a informações falsas, que não procedem, o que poderia nos levar a crer que são palavras sinônimas, mas não é bem assim.
Uma inverdade é apenas uma afirmação que não corresponde à realidade, o que pode ser fruto de equívoco ou ignorância. Já uma mentira tem sempre uma carga de intencionalidade, o desejo deliberado de enganar. Portanto, quem diz uma inverdade pode de fato acreditar no que está dizendo, ao passo que quem mente sempre sabe que está mentindo.
É claro que nem sempre dizemos uma mentira movidos de má-fé: às vezes mentimos até por compaixão, como, por exemplo, ao dizermos que está tudo bem quando não está apenas para não preocupar desnecessariamente nossos entes queridos.
Mas, no caso dos políticos, que se acusam mutuamente, alegar que o adversário está dizendo uma inverdade é apenas um eufemismo para acusá-lo de mentir. É que uma acusação direta requer provas, caso contrário configura calúnia. Mas todos sabemos que os políticos mentem descaradamente, e quem acusa o oponente de mentir com certeza também mente.
E se você também tem uma dúvida, mande-a para o e-mail de contato deste blog que responderei aqui neste espaço.
[mentira] é uma [inverdade], e uma [inverdade] é uma [mentira]; logo, são sinônimos. O que pode diferenciar a [mentira] da [inverdade] é o fator expressivo – Estilística. Estilisticamente, é diferente dizer que a fala de alguém é uma [mentira] ou uma [inverdade]. Neste último caso, a linguagem utilizada é polida, enquanto no primeiro caso, a linguagem é grosseira. Agora, é bom prestar atenção para o fato de que a linguagem polida pode ser muito mais agressiva do que a linguagem grosseira, porque coloca o orador na condição de superior intelectual de seu desafeto, ou seja, fala de um pedestal que lhe torna imune a se misturar com os porcos. Em outras palavras, nem precisa baixar o nível [de linguagem] para revelar o caráter de seu desafeto.
Não há nada que se passe na Realidade sem antes passar pela Linguagem. E, no entanto, eu observo como constatação de minha previsão, e não como pasmo diante dos fatos, que a Linguística é ignorada. Quase ninguém vem aqui, discutir com linguistas, como se linguistas não existissem.
Eu até admiro as oportunidades que o professor Aldo dá para a expressão da Linguística, porque deve fazer das tripas coração para falar e não ser ouvido.
Os linguistas devem se movimentar para o alavancamento desta Disciplina. Não vejo linguistas aqui, mas o depoimento de pessoas comuns, eivados de tropeços.
A linguística é feita, eminentemente, por linguistas, e eles bem poderiam vir compor um quadro de discussão que, no fim, seria benéfico para todos. Deixar um linguista como Aldo ficar, sozinho, respondendo às perguntas dos leigos, é covardia. Onde estão os linguistas deste país, aonde se escondem que não os vemos?
Os linguistas daqui são doutores de araque, que não sabem distinguir muito bem entre o [a] e o [o], ou são doutores fajutos, que usam seus anéis para mostrarem o brilho que não têm. Eu tenho a resposta, mas prefiro o silêncio. Quando um site como este não atrai um elemento sequer do pedestal, está provado o pedestal de que se servem.