Os estranhos nomes da MPB

A música popular brasileira atual tem sido marcada por um fenômeno incomum em outras épocas, bem como em outros países: a modificação dos sobrenomes dos artistas. Às vezes, o erro pode ser do próprio tabelião, e por isso um sobrenome italiano como Calcagnotto se torna Calcanhoto. Mas o mais frequente é que os próprios artistas simplifiquem seus nomes para facilitar a venda de discos, num claro reconhecimento de que o público tem dificuldade de soletrar nomes estrangeiros. Aí Vercillo vira Vercilo, Cañas vira Canhas, e assim por diante.

Curiosamente, isso ocorre com artistas, digamos, mais elitizados. Os mais populares têm feito o movimento inverso, duplicando consoantes para dar um ar sofisticado a nomes absolutamente comuns. E assim temos Gusttavo, Leitte, e uma série de grafias pouco ortodoxas, para não dizer estranhas mesmo.

Isso também acontece com atores de televisão. De um tempo para cá, tornaram-se frequentes as Alinnes, Paollas, etc. Há até uma atriz cujo sobrenome passou do prosaico Oliveira para Ólive, Óllive e finalmente Óliive (!). O motivo alegado em geral é a numerologia: tais grafias supostamente favorecem o sucesso. Crendices à parte, o êxito ou fracasso ligado à grafia do nome se deve mais ao gosto do público. Aparentemente, pessoas menos escolarizadas preferem nomes com grafias estrambóticas, cheios de k’s, w’s e y’s. Ao contrário, as de maior instrução optam pela simplicidade. Talvez por isso, a cantora Cláudia, cujo trabalho sempre teve por foco a MPB de boa qualidade, tenha caído em certo ostracismo, apesar do inequívoco talento, depois que, por razões numerológicas, passou a assinar-se Cláudya.