Os curiosos nomes da laranja

A palavra laranja nos chegou a partir do árabe naranj, que por sua vez a recebeu do persa narang, esta vinda do sânscrito naranga. E todas significavam “laranja”, já que essa fruta é originária da Ásia. Na Roma antiga, não havia uma palavra nem para a laranja nem para a cor laranja. Os romanos obviamente ainda não conheciam a fruta e tampouco tinham uma palavra para a cor. E não porque não distinguissem o laranja, mas apenas porque, em sua cultura, essa cor era apenas um tom de amarelo. Em inglês antigo, a cor era chamada de gealuread, algo como yellow-red, isto é, um tom entre amarelo e vermelho.

Só para vocês terem uma ideia, em português o vermelho bem claro se chama rosa, e o bem escuro, marrom. No entanto, em relação ao azul, temos apenas azul-claro e azul-escuro. Portanto, se misturarmos tinta branca ou preta ao vermelho, obteremos duas cores distintas do próprio vermelho (pelo menos linguisticamente), mas, se adicionarmos branco ou preto ao azul, teremos apenas duas tonalidades diferentes de azul, mas ainda será azul. Incoerências das línguas.

A palavra árabe passou ao português laranja, ao espanhol naranja e ao italiano arancia. Deste passou ao francês orange, que o transmitiu ao inglês, ao alemão e também às línguas escandinavas com a mesma grafia (posteriormente, o norueguês reformou a ortografia, e orange virou oransje). Mas o alemão também tem o termo Apfelsine, que deu apelsin em sueco e appelsin em norueguês e dinamarquês. Mas de onde veio Apfelsine? Ora, Apfel significa “maçã” em alemão. E Sina era como os alemães chamavam a China na Idade Média. Conclusão: Apfelsine é literalmente “maçã da China”. É que os portugueses trouxeram a fruta da China para a Europa por volta de 1500. Ela chegou aos portos de Hamburgo e Amsterdã em torno de 1700 através do Mar do Norte. Mas o alemão também tem o vocábulo Pomeranze, vindo do latim medieval pomarancia, e este da composição em italiano de pomo e arancia.

Falando nos portugueses, é pelo mesmo motivo histórico que “laranja” em grego é portokálos, isto é, “Portugal”.