Qual é a diferença entre implantar e implementar uma lei?

Na atual campanha eleitoral, tenho observado a ocorrência de duas palavras na fala dos candidatos a prefeito e também a vereador que estão sendo usadas como sinônimas, mas penso que não sejam: implantar e implementar (uma lei, uma política, etc.).

Segundo o dicionário Michaelis, implantar significa, dentre outras coisas, plantar uma coisa em outra (por exemplo, o implante de cabelo), arraigar, estabelecer, introduzir. E implementar é executar (um plano, um programa, uma política), levar à prática por meio de providências concretas. Portanto, no caso de uma lei, como as que estão sendo propostas pelos candidatos, implantação é o processo que se inicia com a idealização da lei, passa por sua redação, apresentação ao Poder Legislativo, discussão, votação, aprovação, promulgação e publicação em Diário Oficial. Já a implementação da lei só começa depois que esta estiver implantada. Como? Por meio de divulgação, campanhas educativas e sobretudo medidas punitivas ao seu descumprimento.

Assim, a lei precisa primeiro ser implantada para depois ser implementada. Para que se discutam os efeitos (positivos, negativos ou inócuos) da implantação de uma lei, é preciso que antes se discuta a viabilidade ou não da implementação dessa lei, já que os efeitos só poderão ser sentidos depois que a causa (a implantação) tenha ocorrido.

A partir daí teríamos dois caminhos: discutir a implementação efetiva da lei (isto é, o que está realmente sendo proposto) e os efeitos desejáveis de sua implantação, que poderão não vir a ser plenamente atingidos justamente por falhas na implementação (eventuais brechas jurídicas decorrentes de uma redação ambígua, fiscalização deficiente, leniência ou corrupção das autoridades, e assim por diante).

Reconheço que a diferença de significado entre ambas as palavras, especialmente no que tange a nuances sutis, é muito pequena, o que justifica o emprego de uma e outra como sinônimas. Entretanto, dado o baixo nível do debate político atual, que visa muito mais a “lacrar” nas redes do que a resolver os problemas da população, chega a ser utopia esperar que os candidatos se atenham a essas filigranas semânticas.